Em setembro de 2025, o TikTok iniciou a maior transformação de sua história: um novo algoritmo nos EUA pode dividir a plataforma em experiências regionais distintas. Para as marcas brasileiras, esse é um momento de riscos — mas também de oportunidades únicas para fortalecer narrativas locais e construir independência digital.
Setembro de 2025: o marco zero
O mês de setembro de 2025 entrou para a história das redes sociais. O TikTok, que nos últimos anos definiu tendências culturais e ditou o ritmo da economia criativa, anunciou a transição mais radical desde sua chegada ao mainstream: o algoritmo nos Estados Unidos será reconstruído do zero.
Não se trata de um detalhe técnico. Estamos falando do coração do TikTok — o sistema que decide o que viraliza, quem aparece e como as culturas digitais se espalham.
O nascimento de dois TikToks
Pela primeira vez, a plataforma deixa de ser universal.
Nos Estados Unidos, o algoritmo passa a ser treinado apenas com dados locais. No restante do mundo, a versão global segue conectada à lógica original da ByteDance.
Esse movimento abre caminho para uma fragmentação inédita: o viral que explode em Nova York pode não ter o mesmo efeito em São Paulo. O futuro das redes sociais deixa de ser homogêneo para se tornar regionalizado.
O impacto imediato nos EUA
A transição já tem efeitos previstos para o primeiro semestre de 2026:
- Histórico de performance perde peso: o que funcionava até ontem pode não funcionar amanhã.
- Lógica de descoberta recalibrada: engajamento, hashtags e viralização serão interpretados de forma diferente.
- Oscilações na creator economy: criadores podem enfrentar quedas e picos de alcance até que o algoritmo se estabilize.
- Orgânico mais volátil: maior dependência de mídia paga para manter visibilidade.
Nos Estados Unidos, marcas precisarão abandonar fórmulas prontas e voltar ao laboratório: testar, errar rápido e ajustar em tempo real.
O Brasil nesse cenário
Enquanto os EUA atravessam turbulência, o Brasil permanece conectado ao algoritmo global. Essa distância cria uma situação única: um país que segue estável, mas que observa de perto a fragmentação internacional.
Oportunidades
- Valorização do conteúdo local: narrativas brasileiras tendem a ganhar mais relevância.
- Menor dependência do que viraliza nos EUA: o delay pode favorecer o florescimento de uma estética própria no TikTok brasileiro.
- Observatório estratégico: o Brasil pode acompanhar a transição americana como “laboratório” e se preparar com mais tempo.
Riscos
- Fragmentação futura: a América Latina pode adotar um modelo regionalizado, repetindo o movimento dos EUA.
- Pressão regulatória nacional: processos contra o uso excessivo por menores e decisões do STF responsabilizando redes sociais mostram que ajustes locais também virão.
Estratégia para marcas brasileiras
Para não ficarem vulneráveis, marcas no Brasil devem:
- Fortalecer narrativas locais, alinhando conteúdo à cultura e ao comportamento dos consumidores brasileiros.
- Diversificar presença em vídeo curto, explorando Reels e YouTube Shorts.
- Construir independência, transformando audiência em listas próprias, newsletters e comunidades fechadas.
- Acompanhar de perto os EUA, entendendo quais mudanças podem se replicar futuramente.
O futuro fragmentado das redes sociais
O TikTok deixa de ser um palco global homogêneo para se tornar um mosaico de experiências regionais. Para moda, beleza, lifestyle e cultura digital, isso significa que a estratégia regional volta a ser protagonista.
Se 2020 foi o ano em que o TikTok conquistou o mainstream, 2025 é o momento em que ele se divide.
E 2026 será o ano em que veremos quem soube transformar a fragmentação em oportunidade.