A boa notícia é que tudo passa. A má notícia… também.

Esses dias me peguei pensando numa frase simples, mas que carrega um universo inteiro dentro:

A boa notícia é que tudo passa. A má notícia… também.

E foi aí que me dei conta: as grandes notícias da vida — aquelas que nos tiram o chão ou nos colocam nas nuvens — talvez sejam mais parecidas do que parecem. No fundo, o que muda é a nossa perspectiva. Nossa pressa em dar nome às coisas: isso é uma benção, aquilo é um desastre. Mas será mesmo?

Tem um velho conto que gosto muito. Um homem ganha um cavalo. A vila inteira comemora: “Você tem sorte!”

Ele responde com calma: “Pode ser.”

Dias depois, o filho cai do cavalo e se machuca. As pessoas se apressam: “Que tragédia!”

E o homem, de novo: “Pode ser.”

Tempos depois, a guerra estoura. Todos os jovens são convocados, menos o filho dele, que por causa do acidente ficou em casa.

E então, a mesma vila que chamou de tragédia, agora chama de sorte.

Esse conto é um lembrete quase sutil — mas poderoso — de que o tempo é o verdadeiro revelador das coisas. O que hoje parece dor, amanhã pode ser proteção. O que hoje parece vitória, pode se transformar em ilusão. Às vezes, só com o passar das estações é que conseguimos enxergar o real papel de cada acontecimento na nossa história.

E é aí que mora o desafio: suportar o “agora” sem rotular. Viver a dor sem se desesperar. Viver a alegria sem se apegar demais. Porque a vida, na sua essência mais crua, é um fluxo. Tudo passa. Tudo muda. E tentar segurar o que é passageiro é como tentar segurar água entre os dedos.

Essa consciência não é fria. Pelo contrário. Ela pode ser profundamente libertadora.

Nos livra da culpa de não controlar tudo.

Nos tira o peso de ter que entender tudo agora.

Nos permite viver com mais leveza, mesmo em dias pesados.

Então, se você estiver passando por algo que parece uma má notícia — talvez um fim, uma perda, um erro — lembra disso: você ainda não viu o quadro inteiro.

E se estiver vivendo um momento bom, que te aquece o peito — aproveita, mas sem medo de quando ele vai acabar. Porque ele vai. Mas outros virão. Sempre vêm.

A boa notícia é que tudo passa.

A má notícia… também.

E o milagre está justamente aí: no passar do tempo, no movimento da vida, na dança silenciosa entre o que parece bom e o que parece ruim — e no espaço entre esses dois extremos onde mora a sabedoria.

No fim, tudo isso só é.

E talvez isso seja o suficiente.

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